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    Desafio ao toque de recolher acaba em confronto na Tunísia

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    Desafio ao toque de recolher acaba em confronto na Tunísia

    Mensagem  Admin em Seg Fev 07, 2011 7:11 pm

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    Desafio ao toque de recolher acaba em confronto na Tunísia
    24 de janeiro de 2011 • 06h23 • atualizado às 09h07 Comentários
    1NotíciaInfográfico
    Depois de desafiar o toque de recolher, manifestantes entraram em confronto com a tropa de choque no centro de Túnis

    Foto: AFP

    ReduzirNormalAumentarImprimirA tropa de choque de Túnis entrou em confronto nesta segunda-feira com centenas de manifestantes que desafiaram o toque de recolher e permaneceram durante a noite diante do Palácio do Governo para exigir que os ministros do antigo Executivo deixem seus cargos.

    Os agentes lançaram gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que responderam com pedras e garrafas na praça situada em frente ao escritório do primeiro-ministro, na velha medina de Túnis.

    Após vários minutos de tensão, a calma foi retomada depois da intervenção dos militares deslocados ao Palácio de Governo, que fizeram a intermediação entre policiais e manifestantes.

    Centenas de pessoas mantiveram nesta segunda-feira o protesto que havia sido iniciado com 2 mil pessoas neste domingo diante do escritório do Primeiro-ministro da Tunísia, Mohamed Ghannouchi.

    "Não sairemos daqui até que o governo caia", afirmavam os manifestantes, que se organizaram com sacos de dormir e barracas para passar a noite na praça situada em frente ao histórico edifício que acolhe as reuniões do Executivo.

    A maioria dos manifestantes que continuaram o protesto apesar do início do toque de recolher são membros da chamada "Caravana da libertação", que chegou no domingo a Túnis procedente do interior do país para aderir aos protestos da capital.

    A caravana, integrada por cerca de 200 ônibus, caminhonetes e caminhões saiu no sábado da região de Sidi Buzid, onde começaram as revoltas sociais que forçaram a saída do presidente Zine al Abidine Ben Ali, depois que o vendedor ambulante Mohammed Bouazizi incendiou o próprio corpo no dia 17 de dezembro.

    Muitos habitantes da medina levaram sanduíches, água e café aos manifestantes para que pudessem passar a noite. Nesta segunda-feira devem chegar à capital outras centenas de pessoas que saíram neste domingo de outras regiões do país, como Kaserin e Gafsa, no centro-oeste, para participar dos protestos.

    Além disso, o sindicato dos professores convocou uma greve nos centros de educação primária nesta segunda-feira, o dia em que em princípio deveriam ser retomadas as aulas em todo o país após semanas de suspensão.

    Momento histórico
    A Tunísia começou a viver um forte turbulência social há cerca de quatro semanas, quando jovens e estudantes iniciaram protestos contra os altos índices de desemprego na ruas da capital Túnis. As manifestações logo tomaram vulto e assumiram uma conotação política, criticando a falta de liberdade política no país.

    O governo se viu obrigado a agir. Em meio a pedidos de calma à população, o então presidente Ben Ali anunciou o fechamento de universidades e escolas, enquanto o Exército saía às ruas para frear as manifestações. Passaram a haver confrontos regulares, gerando um número ainda incerto de mortos, mas que já passa de 70, segundo dados do governo.

    As medidas não foram suficientes, e Ben Ali se viu obrigado a deixar a Tunísia na última sexta-feira, 14 de janeiro, passando o controle do país para o Exército e o comando interino do governo para o primeiro-ministro, Mohammed Ghannouchi. Com a fuga, encerra-se um longo período de governo, iniciado em 1987 e durante o qual Ben Ali se reelegeu diversas vezes.

    Sem a presença do ex-ditator, a Tunísia começa a caminhar na direção de um novo cenário político. Na segunda-feira, 16 de janeiro, o comando interino tunisiano convocou a formação de um governo de união nacional para funcionar durante o período transitório até as próximas eleições, convocadas para dentro de seis meses. Presos políticos também receberam anistia, e todos os partidos políticos serão legalizados.


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